Reflexões sobre o conceito de mundo da vida aplicado aos estudos de bioculturalidade
DOI:
https://doi.org/10.5281/f5q07q17Palavras-chave:
Mundo da vida, Bioculturalidade, Amazônia, Perspectivismo, FenomenologiaResumo
Este artigo examina criticamente o conceito de “mundo da vida” (Lebenswelt), formulado por Alfred Schütz e Thomas Luckmann (2023), em articulação epistemológica com a bioculturalidade, visando analisar as práticas sociais e culturais de comunidades amazônicas. Adota-se uma abordagem metodológica de caráter bibliográfico e documental (Gil, 2000), com ênfase na análise hermenêutica de fontes primárias e secundárias. A fundamentação teórica articula as contribuições do perspectivismo ameríndio de Eduardo Viveiros de Castro (1992), a fenomenologia do corpo próprio de Merleau-Ponty (2012) e os estudos sobre memória biocultural de Toledo e Barrera-Bassols (2015), os quais evidenciam o papel das narrativas, rituais e saberes tradicionais no manejo sustentável dos recursos naturais e na adaptação às transformações socioambientais. Os resultados evidenciam que as práticas das comunidades amazônicas transcendem as dicotomias entre natureza e cultura, configurando um sistema simbólico relacional que integra corpo, subjetividade e ambiente. Nesse contexto, o “mundo da vida” é ressignificado como um espaço dinâmico e cosmológico, no qual a bioculturalidade desempenha função estruturante na transmissão intergeracional de conhecimentos, consolidando estratégias de resiliência e sustentabilidade. Conclui-se que o diálogo entre esses referenciais teóricos fornece ferramentas analíticas inovadoras para compreender a relação entre humanos e não humanos, contribuindo para a construção de abordagens epistemológicas mais integradas e sensíveis às cosmologias amazônicas frente aos desafios socioambientais contemporâneos.
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