O currículo recontextualizado na amazônia rural: mediação tecnológica, território e tensões pedagógicas no centro de mídias da educação paraense (CEMEP)
DOI:
https://doi.org/10.5281/1j3vtv72Resumo
O presente artigo analisa os processos de recontextualização curricular e mediação tecnológica no 1º ano do Ensino Médio do Centro de Mídias da Educação Paraense (CEMEP), tomando como campo de investigação a Escola Municipal de Ensino Fundamental – EMEF – Juraci S. Rocha — a qual sedia a oferta do Ensino Médio em regime de turma em anexo à Escola Estadual Rural de Tucuruí —, localizada na Vila de Marinheiro Nova União, na rodovia Trans Bom Jesus, zona rural do município de Tucuruí, Pará. O estudo problematiza o paradoxo vivido pela comunidade amazônica, que, apesar de situada na área de abrangência da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, enfrenta severas assimetrias de infraestrutura tecnológica, conectividade e serviços públicos. Teoricamente, a pesquisa fundamenta-se nos conceitos de currículo como território em disputa (Sacristán, Arroyo), no Discurso Pedagógico e na Teoria daRecontextualização (Bernstein), nos princípios da Educação do Campo (Caldart, Hage, Molina), na mediação tecnológica crítica (Kenski, Pretto, Freire) e na busca pela justiça curricular e cognitiva (Connell, Santos).
Metodologicamente, adota-se o Estudo de Caso Qualitativo, articulando análise documental das diretrizes governamentais do CEMEP, observação direta de campo e entrevistas semiestruturadas com o professor presencial e estudantes locais, com tratamento dos dados via Análise de
Conteúdo Categorial (Bardin). Os resultados evidenciam que, embora o CEMEP amplie o acesso formal ao Ensino Médio em áreas remotas, sua proposta padronizada e urbanocêntrica tensiona o tempo escolar com o calendário agrícola e esbarra na precariedade infraestrutural. Demonstra
se que o professor presencial atua não como mero técnico, mas como um recontextualizador fundamental que traduz e ressignifica os conteúdos transmitidos via satélite, impedindo o epistemicídio e garantindo a pertinência sociocultural da aprendizagem no chão da escola rural
amazônica.
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